3 de abril de 2009


De perfeito não tens nada. Gostava que soubesses isso mas não to vou dizer. Não porque tenha medo, porque não te queira magoar ou porque sinta que tenho algo a perder. Mas tu nunca ias ouvir, só porque ia sair da MINHA boca. E tu de mim já não queres ouvir nada. Já não queres saber o que penso, já não me pedes conselhos nem opiniões. Já não faço parte. Tu não me contas o que o tempo fez de ti, não me explicas no que a distância te tornou, e não te defenderias, caso eu dissesse que não gosto, que me desiludiste. E tudo isto (ainda) não me faz odiar-te. Ainda te acho piada, mesmo quando mais ninguém acha. E as coisas não deviam ser assim. Nem as coisas, nem tu e muito menos eu. Parece que fui ficando para trás, e tu não paraste de evoluir. A tua metamorfose parece infindável. Se há uns meses eu diria, que agora iria estar onde e como estou. Se há uns anos eu diria, que agora irias estar como e com quem estás. Eu posso ficar a olhar-te durante anos, sem parar. Eu posso ficar estática em frente a fotografias tuas. Mas isso não te vai trazer de volta aos meus dias que se pintaram de outras cores desde a última vez que falámos. Posso receber respostas tortas, olhares de ódio (que eu nem sei muito bem de onde surgiu), posso ficar a chorar durante horas porque já não te lembras do meu nome (e talvez seja por isso que nunca me chamas), mas em mim, nunca vais deixar de ser o que eras, o que nunca deixaste de ser mesmo tendo eu tentado exaustivamente, até cair no chão e adormecer de cansaço. Cresces desmedidamente e eu não percebo porque me afastaste de ti e porque deixaste de me deixar estar presente. Se não sei mais o que te dizer, é porque me faltam palavras e como elas, sentimentos. Não por falta de tempo, é certo. Mas porque o sol e a chuva se tornaram demasiado iguais, quase indistinguíveis. Não sei o que é sorrir, nem o que é chorar, nem percebo a diferença entre um grito de raiva, de dor ou de alegria, e o silêncio que faz tantas vezes sentido. O meu corpo está doente, e olha que a minha mente também não está muito saudável desde o dia em que (não) te despediste de mim, e partiste em sentido contrário. É impressionante como foste escolher o caminho exactamente oposto. Eu parto para Sul e já não sei dizer quantos dias passaram, secalhar meses, anos. Secalhar uma vida! O teu deixar de sorrir, deixou de doer em mim. Os comprimidos afastam-me da ponte mas não me secam as lágrimas, não tem ombros, não me olham com orgulho nem me dizem que precisam de mim. Eu é que PRECISO deles, como de ti. Como preciso que o passado se torne presente, futuro e noutros tempos que ainda estão para ser inventados. Quando quiseres aparece, pede desculpa. Ou se não quiseres, não peças, faz de conta que nada aconteceu e exige o que quiseres de mim. Eu não me importo. Mas volta. Dá-me um abraço, um beijo no pescoço e deixa-me sentir o teu perfume que me é combustível.


/Sara da Cunha

1 comentário:

  1. tem passagens muito bonitas, e acho que até me vou atrever a copia.las! :S
    com os devidos direitos de autor, é claro!

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