
De perfeito não tens nada. Gostava que soubesses isso mas não to vou dizer. Não porque tenha medo, porque não te queira magoar ou porque sinta que tenho algo a perder. Mas tu nunca ias ouvir, só porque ia sair da MINHA boca. E tu de mim já não queres ouvir nada. Já não queres saber o que penso, já não me pedes conselhos nem opiniões. Já não faço parte. Tu não me contas o que o tempo fez de ti, não me explicas no que a distância te tornou, e não te defenderias, caso eu dissesse que não gosto, que me desiludiste. E tudo isto (ainda) não me faz odiar-te. Ainda te acho piada, mesmo quando mais ninguém acha. E as coisas não deviam ser assim. Nem as coisas, nem tu e muito menos eu. Parece que fui ficando para trás, e tu não paraste de evoluir. A tua metamorfose parece infindável. Se há uns meses eu diria, que agora iria estar onde e como estou. Se há uns anos eu diria, que agora irias estar como e com quem estás. Eu posso ficar a olhar-te durante anos, sem parar. Eu posso ficar estática em frente a fotografias tuas. Mas isso não te vai trazer de volta aos meus dias que se pintaram de outras cores desde a última vez que falámos. Posso receber respostas tortas, olhares de ódio (que eu nem sei muito bem de onde surgiu), posso ficar a chorar durante horas porque já não te lembras do meu nome (e talvez seja por isso que nunca me chamas), mas em mim, nunca vais deixar de ser o que eras, o que nunca deixaste de ser mesmo tendo eu tentado exaustivamente, até cair no chão e adormecer de cansaço. Cresces desmedidamente e eu não percebo porque me afastaste de ti e porque deixaste de me deixar estar presente. Se não sei mais o que te dizer, é porque me faltam palavras e como elas, sentimentos. Não por falta de tempo, é certo. Mas porque o sol e a chuva se tornaram demasiado iguais, quase indistinguíveis. Não sei o que é sorrir, nem o que é chorar, nem percebo a diferença entre um grito de raiva, de dor ou de alegria, e o silêncio que faz tantas vezes sentido. O meu corpo está doente, e olha que a minha mente também não está muito saudável desde o dia em que (não) te despediste de mim, e partiste em sentido contrário. É impressionante como foste escolher o caminho exactamente oposto. Eu parto para Sul e já não sei dizer quantos dias passaram, secalhar meses, anos. Secalhar uma vida! O teu deixar de sorrir, deixou de doer em mim. Os comprimidos afastam-me da ponte mas não me secam as lágrimas, não tem ombros, não me olham com orgulho nem me dizem que precisam de mim. Eu é que PRECISO deles, como de ti. Como preciso que o passado se torne presente, futuro e noutros tempos que ainda estão para ser inventados. Quando quiseres aparece, pede desculpa. Ou se não quiseres, não peças, faz de conta que nada aconteceu e exige o que quiseres de mim. Eu não me importo. Mas volta. Dá-me um abraço, um beijo no pescoço e deixa-me sentir o teu perfume que me é combustível.
/Sara da Cunha
tem passagens muito bonitas, e acho que até me vou atrever a copia.las! :S
ResponderEliminarcom os devidos direitos de autor, é claro!