E dizer-te que sinto falta, que preciso, que por mais que procure não encontro. Não da forma que te encontrei a ti, um dia. O meu coração nunca mais bateu como nesse momento, o tempo nunca mais parou desde esse minuto. Mas aqui também não se sente da mesma forma. Fica tudo para trás. Até alguns sentimentos, algumas memórias e aqui não dói quando penso em ti e nos anos que se seguiram. Nem no tempo perdido com preocupações (que agora sei ridículas). O tempo perdido a olhar para o telefone porque ele não tocava, o tempo que perdi acordada, à espera que tu chegasses, o tempo gasto à procura do teu arrependimento. Nunca nada chegou até que fui eu a partir porque me cansei de ver os ponteiros a correr sempre do mesmo (gasto) lugar do sofá. Sempre do mesmo lado da rua, das mesmas ruas. Aqui não dói e a sanidade regressa, as cores voltam ao seu lugar e tudo tem uma nitidez tão maior. Tudo se move com maior calma, menos ansiedade mas também é certo que o relógio nunca mais voltou a parar.
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