Era formidável verificar até que ponto os homens e as mulheres comunicavam mal e tinham deixado de se ouvir a si próprios. Os casos de tristeza mais frequentes deviam-se a variados estados de solidão profunda e infinita. O medo, a incapacidade de concretizar aquilo que se imagina, de transformar os desejos em faculdades através da força de vontade parecem-me ser sintomas muito correntes.
Vigilante e curioso, ía anotando tudo no meu bloco, desde a mais vil das traições à mais banal das frustrações. Nenhum problema de coração deve ser descurado; para se desempenhar funções como as minhas, é importante estar-se consciente de que a infelicidade é realtiva. Um arranhão na alma pode ser tão doloroso e perigoso como uma ferida grave. Certos desgostos amorosos podem destruír uma vida e, em contrapartida, alguns verdadeiros dramas podem construír uma existência.
A verdade é que, à força de tanto observar, elaborei de forma bastante rápida as bases teóricas da técnica que ía adoptar: conseguir alterar a percepção da vida por parte do sujeito sofredor.
A partir do momento em que vemos a vida de outra maneira, é-nos possível transformar a realidade. Isto pode parecer simplista, mas funciona sempre, basta que tenhamos coragem.
Infelizmente, os humanos não desenvolveram essa arma, pelo que a minha estratégia consistía em provocar uma alteração da percepção no sujeito em causa, utilizando vários procedimentos, uns mágicos, outros não.
.
.
O Homenzinho Azul
Sem comentários:
Enviar um comentário