Volta, por favor. Nem que seja só por hoje. Volta, por favor, porque um dia não são dias e podes sempre ir embora. Diz-me que queres, que precisas como sempre precisaste e que te faço falta, que já não aguentas, que tens feito um esforço enorme. Volta e diz-me que sim. E que não, se te apetecer. Sorri. Deixa-me o teu cheiro a perfume e depois, deixa-me então, se for essa a tua decisão. Mas agora vem e traz-me o cheiro de dias antigos, o sabor de noites quentes. Traz-me o teu abraço que costumava carregar sentimentos, que era mais do que indiferença. E traz-me as músicas que cantavas, traz-me as músicas que eu dançava enquanto ria, enquanto chorava, enquanto gritava, enquanto te adorava. Traz-me os sentidos que eu perdi. Trá-los de volta, por favor. Por hoje preciso de ti. Porque o hoje não passa nunca. Porque o hoje dura tempo demais. E porque um dia não são dias, quando quiseres podes ir embora. (Podes partir para sempre). Mas chega agora. Pousa as malas (ou não tragas nada), dá-me as tuas palavras (que me ajudavam em dias escuros, passados), leva-me as saudades e deixa-me sozinha outra vez. Porque importantes são as tuas vontades. Importante és tu, são os teus amigos, a tua vida, as tuas necessidades. Mas nunca eu! E eu não me importo desde que venhas, desde que apareças. Traz-me os dias que não podem voltar porque eu quero mas não sei como, não sei como te substituir. Volta.
/Sara da Cunha
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