10 de abril de 2009


“Nunca me deixes, amor!”, gritava eu num silêncio constrangedor. E tu sorrias. “Nunca me troques, amor!”, pedia-te apavorada. E tu sorrias. Eu sempre fui boa a probabilidades, e sabia por isso, que a de te perder era elevada. Se eu não tivesse certeza, mesmo que lá no fundo (bem ao nível dos barcos encalhados e detentores de tesouros), eu nunca te teria pedido em silêncio, nunca me teria sentido tão apavorada como uma criança numa casa fantasma. Tu com a tua desorganização (principalmente mental), insistes em guardar tudo no mesmo saco. Misturas papéis, poemas, cartas de amor, com cd’s, livros, mentiras e intrigas. Mas não vivia sem ti. Não vivias sem mim. E depois, um dia, deixei de receber as tuas cartas e de poder ler as tuas histórias. Deixei de esperar pelo teu telefonema de “Boa Noite!” porque o telefone deixou de tocar. Deixei de correr para a janela porque tu deixaste de atirar as pedrinhas que escolhias minuciosamente, apaixonadamente. Mas nem por isso deixaste de me fazer falta. Esperei uma hora. Deixei a porta de casa aberta para que quando voltasses a correr, arrependidíssimo, não fosses contra ela com a pressa de me abraçares e me pedires desculpa. Esperei dias. Enrolei-me na manta que sempre nos aqueceu no Inverno nos dias em que entravas pela casa, atiravas um sapato para cada canto da sala e vinhas para o pé de mim. Depois eu carregava no Play e ali ficávamos, estáticos, horas intermináveis. Esperei meses. Mudaram as estações, mas eu não vi sol nem chuva. Eu não abri persianas, não mudei de roupa nem de posição. Não parei de chorar nem por um segundo. Esperei anos. Desesperei. Mas tu nunca chegaste a aparecer. Eu nunca cheguei a ouvir a tua chave, ansiosa, na porta que pintámos juntos. A mesma que nunca cheguei a fechar. Não entraste tu. Não entrou ninguém.



/Sara da Cunha

1 comentário:

  1. Nunca ninguém vai esquecer!
    É nestes momentos, em que estamos ainda mais perto dos nosso amigos, que temos noção dos que vão ficar e dos que não. Depois daquela semana, tenho ainda mais certezas que vais ficar. PARA SEMPRE :)
    E sim, ainda vamos voltar, e passar muitas noites na Tropics :D

    Adoro-te
    Duda *

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