Ele veio de longe. Ele trazia esperança. Trazia pedacinhos da felicidade que me roubaste na mala, no mesmo bolso dos souvenirs tradicionais. Ele trouxe-me os desenhos que fez para MIM. Ele é quase perfeito, juro-te. Há quase um ano que não sinto nada. Para além da tua falta. Há quase um ano que me rio sem achar piada, que não consigo chorar, que não consigo gostar. E ele que veio de tão longe! Ele que é quase perfeito, juro-te. Ele a dizer que me ama e eu a fugir, eu a não querer responder, eu a querer desaparecer, a querer chorar, e a retribuir sem responder. Ele a dizer que sente a minha falta e que gostava de me poder abraçar e eu à procura de uma piada, de uma salvação, de uma não mentira e a não encontrar e a retribuir com palavras falsas. Eu a querer gostar dele (mais ou pelo menos tanto como de ti) e ele a sair para não pensar em mim, para não ficar em casa a sentir o que eu sinto por ti. Ele é quase perfeito mas não é tu. Tu que estás demasiado ocupado a ver futebol ou na internet e não podes andar 10 metros para chegar até mim. E eu a rezar para que sejas feliz, a rezar para que voltes ao ponto de partida, que pares de te destruir. Eu a desejar que sintas a minha falta. E tu deitado na cama, demasiado cansado dos teus novos dias tão preenchidos para poderes sequer lembrar-te que eu existo. Que eu fiz parte da tua vida. E eu a chorar e tu sem fazeres ideia, sem quereres saber. E ele a pensar em mim e a comprar o bilhete. Ele a 4horas de viagem e tu deitado na cama, como se não fosse nada contigo. Eu a tremer, eu confusa, eu a querer morrer. E ele ansioso e feliz e sem saber sequer que tu és um problema. Eu quero-te de volta. Nem que isso significasse não tê-lo conhecido. Eu quero que me tires desta indiferença em que me deixaste quando o sol nos aquecia os dias, quando a praia era demasiado pequena para os nossos sorrisos e o céu demasiado cheio das nossas gargalhadas./Sara da Cunha
Sem comentários:
Enviar um comentário